Um pouco mais de... JornalECO
sexta-feira, 7 de junho de 2013
quinta-feira, 6 de junho de 2013
domingo, 26 de maio de 2013
2 anos de existência
2 ANOS DE EXISTÊNCIA
Há exatos dois anos eu iniciava a publicação deste singelo blog, assim meio bissexto, que - como o autor - vai capenga por aí...
Gostaria de compartilhar com os amigos material que elaboramos no decorrer do Curso de Licenciatura em Letras - Português/Inglês (UNIFRAN) e que, durante um curto período, constituiu-se em exercício de interação e integração entre os discentes daquela turma. Trata-se do JornalECO, jornal mural estudantil, que também oferecia a possibilidade de aquisição de exemplares individuais avulsos mediante pequena contribuição para fazer frente aos custos de produção do mesmo. Ao escolher o nome para esse jornal mural, optei por JornalECO - assim grafado - o que dava a ideia de um jornal, um jornalzinho ( pequeno e sem maior importância, aparentemente autodepreciativo ) e ao mesmo tempo a ideia de eco, i.é, da capacidade que poderia vir a ter - ironicamente, então - de fazer reverberar, propagar, questões e propostas visando animar culturalmente o meio. Datilografado sofrivelmente, penosamente, numa Facit Lettera, erros ortográficos, gramaticais, e outros poderão ser notados. O então Coordenador do Curso de Letras, professor Everton de Paula, a quem muito se deve a liberação de espaço para a realização deste 'exercício', ofereceu-se à época para fazer as necessárias correções. Em muito devido à premência do tempo para afixar cada número do JornalECO, tal ajuda valiosa foi recusada. Reconhecemos, apesar da ressalva, que foi praticamente uma indelicadeza de nossa parte.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
TRONCOS PODRES
TRONCOS PODRES (autor: Evêncio Martins da Quinta Filho)
O texto datilografado de "Troncos Podres" de Evêncio Martins da Quinta Filho, conhecido como Zêgo - que é como assinava coluna no jornal A Tribuna, de Santos - foi-me sugerido por Jorge Elias, que havia dirigido, entre outras, a peça teatral "Transe" (de Ronaldo Radde), já comentada neste blog, e na qual este blogueiro tomara parte. Com isso o diretor Jorge Elias me oferecia a oportunidade, o desafio, de experimentar a direção, já que estivera como assistente de direção dele em outras ocasiões. Cabe mencionar que o autor já havia ganhado prêmio com ouro texto, "A Rosa Verde", e que "Troncos Podres" já fora encenada anteriormente. O assunto tratado é a questão do processo de proletarização conforme percebido numa certa fase da nossa economia, suas consequências no âmbito social. São três as personagens: marido e mulher que se veem na contingência de 'subir o morro', ir morar numa favela, e lutar pela sobrevivência num momento de crises de toda ordem, e um 'desocupado' que já optou pelo descaminho da contravenção ou da criminalidade mesmo, e que 'desce o morro' para buscar através de expedientes recrimináveis sua condição de existência em meio ao caos. Durante os ensaios, fui questionado sobre o fato de estar dando um tom muito declamatório, recitativo, à interpretação dos atores, amadores, que tinha Bruno Antonuche no papel principal - sou incapaz de me lembrar dos nomes dos outros dois participantes, infelizmente. Mas tinha eu grandes pretenções quanto a utilização de multimídia - que o texto original não sugeria e nem era moda na época (pelo menos eu desconhecia referências). No que consistia essa utilização de multimídia? Afixação de primeiras páginas de jornais; projeção de partes de programas de televisão gravados previamente em VHS ou matéria especialmente produzida para a montagem da peça, gravada em Super 8; textos (audio) gravados do rádio em fita cassete; tudo inserido durante a representação consoante as falas das personagens... Os ensaios caminhavam de forma célere até, já se concebia o cenário (cenografia/cenotécnica) mas o projeto não amadureceu o suficiente para ir à cena. Acabo de localizar aqui a informação referente ao nome de quem viveria o papel da mulher, dona de casa: Rosely Nóbrega, que estaria sendo lançada nesta peça pelo GRUTA - Grupo Unido de Teatro Amador, de Santos.
LUA DE MEL A TRÊS
LUA DE MEL A TRÊS
Não me recordo como veio parar nas minhas mãos o texto dessa comédia saborosa, refinada até. Fato é que o referido texto chegou-me como cópia xerox de material datilografado, como era comum naquela época. Li, gostei muito e imediatamente iniciamos (eu, Bruno Antonuche, e mais dois amadores) os trabalhos de preparação para a montagem do espetáculo. Apontei criticamente um senão na cena final - que me pareceu "muito pra baixo", principalmente para uma comédia, ainda mais levando-se em conta a temática. Mais do que depressa imaginei um outro final, mais feliz, mais condizente: os três atores (cujos personagens eram o casal em lua de mel, na noite de núpcias, atordoado com a chegada inesperada de um 'intruso') ao agradecerem os aplausos, estariam juntos no procênio; o 'intruso' pegaria um arranjo de flores pequeno que decorava o ambiente (concepção nossa) e o entregaria ao noivo; este o repassaria à noiva que, virando-se de costas para o público, repetiria o indefectível gesto das noivas - o lançamento do buquê, para a platéia. Os ensaios tiveram início mas o projeto não foi levado a cabo.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
INTERMEZZO
INTERMEZZO
Tenho andado preguiçoso. Há algum tempo não tenho postado aqui novas narrativas de velhas histórias que insistem em fazer redemoinho em minha mente como "o vento dentro de uma caixa de correio". Já ficou meridianamente claro para meus estimados leitores que este é um blog de reminiscências cujo escopo primordial é louvar, prestar homenagem a pessoas (e coisas, e lugares, e momentos) que a mim fazem ou fizeram companhia nessa já longa estrada da vida. Não se trata de vangloriar-me pois é ínfima a parcela de contribuição que eventualmente eu possa ter oferecido aos demais. Também não se trata de passadismo retrógrado... o passado não é certamente o melhor lugar para se estar. Mas ainda pretendo discorrer sobre trabalhos realizados na área teatral, de forma amadorística, trazendo ao conhecimento dos que me honram com seus acessos a este modesto blog não só relatos de "sucessos", mas também de tentativas que não vingaram, propriamente. Aguardem! Quero comentar aqui sobre nossa concepção de espetáculos (que por uma razão ou outra não puderam ir à cena, ao palco, não puderam ser montados - ficando apenas no ensaio geral) como "Troncos Podres", "Lua de Mel a três", e "Judas no Tribunal". Aguardem, por favor!
terça-feira, 13 de março de 2012
PARALELISMO POSSÍVEL?
PARALELISMO POSSÍVEL?
Consumir é bom, produzir é ainda melhor. Arte, por exemplo. Ou conhecimento.
Afastado há algum tempo da cena teatral (amadora) como realizador, não deixo entretanto de acompanhar - ainda que a distância - o que se produz aqui na nossa Franca ou mais além.
Todo ano, no mês de março, a FETANP - Federação de Teatro Amador do Nordeste Paulista, com apoio da Prefeitura Municipal através da FEAC - Fundação para o Esporte, Arte e Cultura (anteriormente, Fundação Municipal "Mário de Andrade") apresenta seu Projeto Cultural ÁGUAS DE MARÇO com manifestações artísticas nas áreas de dança, de teatro, de música e outras (poesia encenada, monólogos, teatro de bonecos ou marionetes, canto coral) que são levadas ao público de forma gratuita (ou mediante ingresso 'social'), inicialmente apenas no Teatro Municipal "José Cyrino Goulart" e mais recentemente ocupando espaços diversos na cidade.
Este ano, na sua 23ª edição, a programação do ÁGUAS DE MARÇO vai de 16 a 25 e pode ser visualizada em www.francasite.com/index.asp
Recordo-me do tempo em que tendo chegado a Franca (para assumir as funções de Agente Fiscal Metrológico no IPEM-SP Órgão Delegado do INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) vindo de Santos, onde já havia participado do movimento teatral amador, aproximei-me da FETANP, lá conhecendo José Aparecido Ribeiro, João Mamédio, Cardoso Jr. e tantos outros jovens entusiastas das artes cênicas. Logo recebí convite para dirigir uma peça, voto de confiança depositado por Jô Ribeiro e demais membros da FETANP que tinham a seu encargo um grupo numeroso de jovens interessados no aprendizado do fazer teatral. Foi-me atribuído um grupo de rapazes e moças (que se mostraram todos muito talentosos) e um texto: Édipo Rei, de Sófocles, em adaptação de Jean Cocteau e tradução de Maria Clara Machado.
Alguns fatores concorreram para facilitar o nosso trabalho de concepção, direção e produção do espetáculo, a saber:
1 - Além da pesquisa que fiz (fizemos) sobre Édipo Rei, auxiliou-me o fato de já ter assistido a encenações de outras tragédias gregas, clássicas, por grupo amadores, como "Antígone" (também de Sófocles) e "Prometeu Acorrentado" (de Ésquilo).
2 - Também foi de valia o mini-curso sobre Mitologia Grega apresentado por Sira Napolitano (mestranda à época, se não me engano) no espaço da FETANP.
3 - O concurso de pessoas de Santos, especialmente Mônica Batista, através do Artevida Produtos de Palco, principalmente no tocante ao figurino (design e confecção).
4 - Grego Defterios, de passagem por Franca, instruiu atores - especialmente na construção da personagem Jocasta (direção de ator/atriz).
5 - O momento político brasileiro à época: Collor x Lula. Collor prometendo acabar com a (hiper)inflação monetária - e com os "marajás" - mediante um "ypon" ou usando "uma única bala, um único tiro", que deveria ser "certeira(o)". E governar para os "descamisados e pés descalços"
O texto de Édipo Rei nos permitiu então estabelecer - aleatoriamente, claro - alguns paralelos:
inflação = peste
ypon, ou tiro certeiro = decifração da esfinge
descamisados e pés descalços = o figurino tinha túnicas brancas que cobriam o colo e os antebraços, e sandálias, para os "reais" Édipo, Jocasta, Creonte... e túnicas pretas deixando à mostra parte do colo e antebraços, e sem qualquer tipo de calçado, para os integrantes do Coro, para o pastor de ovelhas, para o cego Tirèsias...
Collor x Lula (luta de classes, perigo do caos) = Ao dizer o 'prólogo', o ator - interpretando o Corifeu - vestindo túnica vermelha, segura em cada mão (direita e esquerda) longas tiras largas de tecido branco e preto que agita, em embate constante.
Continuidade da disputa política = Ao final da peça, Édipo caído em desgraça, tendo perdido Jocasta, a mãe, que se mata (já havia assassinado Laio, o pai, ainda que sem o saber), tendo propositalmente cegado a si mesmo face ao horror, percebe adentar o átrio sua filha Antígone (atriz mirim, vem vestindo túnica vermelha). Luz vermelha geral inunda a cena. Archotes, tochas incandecentes portadas pelos integrantes do Coro fomam um círculo, distante, ao redor de Édipo...
Ao decifrar o enigma proposto pela esfinge Édipo temporáriamente afasta a peste, e conforme promessa de Creonte, habilita-se a desposar Jocasta e reinar sobre Tebas. O herói trágico, o herói das tragédias clássicas gregas é um homem virtuoso. Visualizamos em Édipo uma imprudente impetuosidade e certa soberba, orgulho. Impressão colhida nas falas do Coro, do cego advinho Tirésias e também das imprecações proferidas por Édipo Rei em um extenso monólogo a certa altura do texto de Sófocles.
E em 1989, com pouco mais de 51% dos votos válidos, o jovem, bom moço, é eleito e conduzido ao governo de uma Tebas tropical... como o mais jovem presidente deste país (e das Américas), permanecendo de 15 de março de 1990 até 29 de dezembro de 1992. O desenrolar dessa história e seu desfecho são conhecidos sobejamente. Paralelismo possível?
E em 1989, com pouco mais de 51% dos votos válidos, o jovem, bom moço, é eleito e conduzido ao governo de uma Tebas tropical... como o mais jovem presidente deste país (e das Américas), permanecendo de 15 de março de 1990 até 29 de dezembro de 1992. O desenrolar dessa história e seu desfecho são conhecidos sobejamente. Paralelismo possível?
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Jovens e Talentosos (REBULIÇO DE ARTES)
Foto - Recorte do jornal Cidade de Santos, ed. de sexta-feira, 27 de janeiro de 1984.
Na foto: da esquerda para a direita, na primeira fila - Eliege Caldas, Marcelinho, Célia Abadia, Nélio Mendes, Marcelão, Germano Dorna, Achilles Abreu, Alberto (português); na segunda fila - Ramos Junior, Márcia Nascente, não identificada, Mônica Batista, Ana Vinhas, Conceição Almeida, Ozenir Ancelmo, Massato Okamoto, Toninho (português); na terceira fila ao fundo - João Carlos Fonseca, Sérgio Perales, Domingos Paulo, Márcio Miorim e Ivo Bulhões.
VER MAIS: 30 Anos das Oficinas Culturais
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
DIA DA AMIZADE
DIA DA AMIZADE
Na canção "Lingua" - refere-se à língua portuguesa - Caetano Veloso pontifica: "a prosa está para a poesia assim como o amor está para a amizade; e quem há de negar que esta lhe é superior?"
Hoje, 14 de fevereiro, é celebrado o Dia da Amizade. É também o Dia dos Namorados (Valentine's Day) comemorado em vários países, de língua inglesa especialmente. Cabe mencionar que nesses países, nos Estados Unidos principalmente, os cumprimentos não se dão apenas entre amantes, pessoas apaixonadas ('in love'), mas também entre aquelas que têm entre si fortes laços de amizade.
Vejo, na rede social Facebook, um post em que alguém reclama, critica, de forma radical até, o fato de aparecer ali na rede, por parte de brasileiros, manifestações de apreço, até de paixão mesmo, escritas em língua inglesa e fazendo referência ao Dia de São Valentim (Valentine's Day) suscitadas pelo transcurso de mais um 14 de fevereiro. Sua crítica, em parte até compreensível, centra-se no aspecto de mente colonizada ("Atitude de colônia!" - sic) de quem assim procede. Acrescenta ele que só se poderia relevar esse (ab)uso no caso de moradores no exterior ou de quem tenha familiares e/ou amigos lá fora. Tudo bem, é o meu caso.
Postei, como tenho postado eventualmente, texto em língua inglesa - relacionado com o tema Dia dos Namorados (Valentine's Day) - e justifico, ou melhor, explico. Embora não haja necessidade, creio.
Sou professor efetivo de Língua Estrangeira Moderna - Inglês na rede pública estadual paulista (Ensino Fundamental e Ensino Médio). Tenho como "audiência" na rede social Facebook inúmeros alunos e ex-alunos para os quais, certamente, poder ver contextualizado o uso do idioma reforça o aprendizado em sala de aula de língua, literatura e cultura. O mundo se globalizou, o inglês atingiu o status de lingua franca, língua internacional, preponderante nos negócios, na política, na ciência e tecnologia... e no entretenimento (Por que não dizer? Vide músicas, filmes, jogos, etc.) Aprender uma segunda língua é praticamente uma necessidade. Pior do que se aborrecer com o inevitável (tentou-se através de Projeto de Lei de autoria do deputado Aldo Rebello banir todo e qualquer estrangeirismo) é fechar os olhos para o fato de que tantos não dominam a Língua Pátria, o Português, "última flor do Lácio, inculta e bela". E, voltando a Caetano Veloso, "o que quer, o que pode essa língua?"
A língua portuguesa nos foi legada a partir da chegada a estas plagas dos portugueses que ousaram ir "ainda além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados", à época do Descobrimento por Pedro Álvares Cabral, na esteira das Grandes Navegações, do Descobrimento do Caminho Marítimo para as Índias, com o império português fazendo colônias nos mais variados cantos do mundo, etc, etc.
Os impérios se expandem, entram em decadência e se sucedem desde o início da História.
Quem se der ao trabalho de visualizar no Facebook o post que deu mote a este meu texto verificará a enorme quantidade de comentários gerados (a favor e contra), debate que me parece muito saudável.
Por fim gostaria de dizer que casei-me num dia 14 de fevereiro! Se você, leitor, faz questão de realçar o dia 12 de junho como único dia a ser comemorado como Dia dos Namorados por aqui, eu proponho que brindemos as duas datas e pronto. Aliás, amor e amizade todo dia! Bom demais, né? Abraço cordial ao amigo leitor.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
ODOYÁ !
ODOYÁ !
"Sonhei que eu era um peixinho dourado
Na beleza das águas vi um mundo encantado
Vi sereia a cantar, Vênus que nascia da espuma do mar
(...)
Yê Yemanjá
Iara Mãe d´água sereia Rainha das ondas do mar..."
"Sonhei que eu era um peixinho dourado
Na beleza das águas vi um mundo encantado
Vi sereia a cantar, Vênus que nascia da espuma do mar
(...)
Yê Yemanjá
Iara Mãe d´água sereia Rainha das ondas do mar..."
Hoje é 2 de fevereiro, dia dedicado a Iemanjá - um dos orixás mais populares. Ficou gravado na memória (minha e de tantos) o samba-enredo da Escola de Samba X-9, santista, do qual reproduzo parte da letra, acima. Fico devendo a menção à autoria deste que é para mim um dos mais lindos sambas de enredo de todos os tempos. Àquela época os desfiles eram realizados na Avenida Vicente de Carvalho, na orla da praia, com grande afluxo de público. Depois, foram transferidos para a Avenida N. S. de Fátima, na Zona Noroeste, com algumas vantagens - dentre outras, a preservaçao do belíssimo jardim que margeia toda a extensão da fantástica faixa de areia da orla marítima, jardim esse incluído no Guinness Book como o mais extenso ( e belo!).
Nascí em Santos, SP, sou praticamente (ou teoricamente) um caiçara.
Nascí de berço católico, apostólico, romano. Fui coroinha e rezei missa em latim. Vestia aquela batininha e sabia de cor e muito bem o significado de um "sursum corda", um "Agnus Dei qui tolit peccata mundi", um "Dominus vobiscum", um "Deo gratias". Em grande parte, graças à Dona Dagmar, minha saudosa e extremada mãezinha.
Das quatro filhas do Sr. Laércio e Dona Gertrudes, meus avós maternos, minha mãe foi católica praticante a vida toda. Fez o bem. Seja nas Pastorais (da Saúde, Carcerária, etc), seja acolhendo, orientando, indicando e colocando pessoas no caminho de suas potencialidades.
As outras três irmãs dela, minhas tias Guiomar, Odete e Dirce tinham cada qual escolhido um caminho para o Alto. Guiomar, morando nos Estados Unidos, protestante (anglicana); Odete, morando na Argentina, espírita (kardecista); e Dirce, morando no Brasil, umbandista.
Penso que todos os caminhos levam ao Alto, já que todos compartilham do essencial: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". Na política, que ainda não é mas poderia (deveria) ser forma suprema de caridade, conforme Santo Agostinho (ou seria São Tomás de Aquino?), isto é o bem comum.
Sempre me assomou o pensamento o fervor evangélico, a ciência kardecista, o enlaçe telúrico umbandista. Continuo católico, apostólico, romano, com espírito ecumênico e respeito pelas crenças de outrem.
Hoje é 2 de fevereiro, dia dedicado a Iemanjá. Salve! Odoyá !
Para ouvir Leci Brandão, cantando Saudação a Iemanjá acesse o link http://youtu.be/KvhpFsXzOo0
domingo, 1 de janeiro de 2012
ANO NOVO
ANO NOVO
Os ponteiros do relógio, o irmão mais velho já tendo dado muito mais voltas do que o irmão mais novo sobre o círculo fosforescente marcador do tempo, invenção humana, e da vida, se sobrepoem um ao outro no pico escuro da meia-noite de mais um ano que chega ao fim para o iniciar esperançoso de um Ano Novo, novinho em folha. Saudemos mil novecentos e setenta e... Estou em Alagoinhas, BA no meio de uma gente festeira que é o povo baiano, e o brasileiro de um modo geral, e embora estejam todos visivelmente alegres, felizes, não há euforia propriamente. Não há agitação, barulho, correria, confusão. Estão todos tranquilos, a caminhar "lindos, leves, soltos" pela praça ampla mas de árvores baixas e de pouco colorido floral. Povo ordeiro. A paz reina nestas plagas. Para minha surpresa - não havia visto isto em lugar algum antes ou depois - ouve-se nos alto-falantes o Hino Nacional Brasileiro, comovente, e só depois então o espoucar de fogos de artifício comemorativo da passagem de ano. Meninos, eu vi... eu ouvi.
Alagoinhas,BA - "pórtico de ouro do sertão baiano". Terra do escritor e editor Adson Vasconcelos, já reverenciado neste blog. Estou na Bahia de Castro Alves, de Rui Barbosa, de Dorival Caimmi, de Jorge Amado, das baianas do acarajé, da comida apimentada, exótica e saborosa, da água de coco, do candomblé... Vim à Bahia a convite do amigo crioulo Edson Bispo dos Santos - homônimo do pivô, e ex-técnico, da seleção brasileira campeã mundial em 1959 - e seus familiares, gente muito amável. Ao final desta minha estadia por aqui terei conhecido também Ouriçangas, Olhos d'Água, Feira de Santana e, claro, a capital do estado, Salvador - com o Farol da Barra, o Mercado Modelo, o Elevador Lacerda, a Lagoa do Abaeté, o Pelourinho, a Barroquinha, a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, a Procissão dos Navegantes... Saravá! Muito axé neste ano que se avizinha!
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
È NATALE! È NATALE! NON SOFFRIRE PIÙ.
É NATAL! É NATAL! NÃO SOFRA MAIS.
"Dizem que, ao chegar a época em que se comemora a Natividade do nosso Salvador, o pássaro matinal se põe a cantar a noite inteira, nenhum espírito então se atreve a adejar pelo espaço, as noites são saudáveis, os planetas se acalmam, as fadas não atuam, nem as feiticeiras usam o seu poder de encantamento. Como esse tempo é feliz e cheio de graça".(W. Shakespeare) - na última capa do programa da peça "O BOI E O BURRO NO CAMINHO DE BELÉM", de Maria Clara Machado, na montagem do TABLADO com direção da autora.
O Natal se avizinha. Aproximam-se mais as pessoas. Mais desarmadas, mais feito crianças. É tempo de celebrar o nascimento daquele que vem trazer a este conturbado mundo a mensagem de amor, justiça e paz entre os homens. Tempo de regozijo. Tempo de agradecer por tudo e a todos quantos nos fizeram companhia durante o decorrer de mais um ano nesta caminhada rumo ao Alto, onde brilha uma estrela fulgurante e anunciadora de vida nova, vida plena. Vida.
Gostaria de compartilhar com vocês, amabilíssimos leitores, justamente agora às vésperas do Natal de 2011, a lembrança de momentos de enlevo, de ternura, que experimentamos ao representar ao ar livre, em praça pública, "O BOI E O BURRO NO CAMINHO DE BELÉM" - primeira peça de grande sucesso de Maria Clara Machado, peça de 1953, concebida inicialmente para teatro de bonecos.
Apresentada em Santos e São Vicente, início dos anos 80 se a memória não falha, nela tomei parte fazendo um dos três Reis Magos - o Rei Amarelo, o que parecia óbvio - de improviso, a convite de Antonio Laerte Marioto (o Alamar, já mencionado anteriormente neste blog) e junto com Altamir Leski e outros. Leski partiria logo depois com seus quase dois metros de altura e seus óculos de fundo de garrafa para Porto Velho (RO) em busca de algum Eldorado. Não me recordo, mas parece-me que o espetáculo tinha direção e produção de Antonio Roberto Marchese, nome bastante influente no teatro amador santista - ele, já se profissionalisando à época.
O texto, que há mais de cinco décadas vem sendo montado e remontado, sempre com expressiva aceitação e deleite do público, independente da idade, pode ser encontrado em Teatro I, "Coleção Teatro" (Editora AGIR).
Já nos últimos anos do grupo escolar (Grupo Escolar Dr. Silveira Brum, em Muriaé-MG) havia eu interpretado o lenhador de "Chapeuzinho Vermelho", também de Maria Clara Machado. Mais tarde tivera contato com o Monólogo do Vaqueiro (Auto da Visitação), de Gil Vicente. Assim, a pequena e simplória participação em "O BOI E O BURRO NO CAMINHO DE BELÉM" foi para mim muito prazerosa.
Recomendamos acessar http://www.youtube.c601kdjajum/ by izamendonca partes 1,2 e 3 para uma visualização da peça em montagem de grupo paranaense.
Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo são os votos mais sinceros deste blogueiro aos amigos e leitores deste singelo amontoado de reminiscências. Coração e mente guardarão para sempre o carinho e a lembrança de vocês. Que o Menino Jesus possa nascer em cada coração e que as bênçãos celestiais sejam os verdadeiros presentes que recebemos nesta noite santa, noite de paz. Gloria in excelsis Deo! Glória a Deus nas alturas! - façamos coro com os anjos, e celebremos!
OBS.: Veja e ouça, também, www.youtube.com/watch?v=HhrtTtPORjw
OBS.: Veja e ouça, também, www.youtube.com/watch?v=HhrtTtPORjw
terça-feira, 29 de novembro de 2011
A AVENTURA DE MONTAR "TRANSE"
A AVENTURA DE MONTAR "TRANSE" (de Ronaldo Radde), direção de Jorge Elias.
(Caricatura do blogueiro feita por artista de rua nos anos 70)
Início: A formação do grupo
(Caricatura do blogueiro feita por artista de rua nos anos 70)
Vamos mais uma vez voltar no tempo, agora para rememorar as muitas alegrias e - por que não? - alguns dissabores vivenciados por ocasião dos ensaios, preparativos para a montagem, e apresentação do espetáculo teatral "TRANSE" pelo GRUTA - Grupo Unido de Teatro Amador, de Santos - SP do qual fizemos parte.
Início: A formação do grupo
Atendendo a anúncio veiculado nos jornais locais (dois, à época - A Tribuna e Cidade de Santos) um número bastante expressivo de jovens se apresenta para formar um grupo de teatro amador - mais um dentre tantos - com a proposta de estudar informalmente a história do Teatro; os seus teóricos, autores, diretores; o movimento amador na região, no estado, e mesmo nacionalmente; as técnicas teatrais; tudo com vistas a montagem de um espetáculo ao término de alguns meses de ensaios de um texto a ser escolhido, mediante deliberação, no decurso dos encontros realizados duas (ou até três) vezes por semana em espaços gentimente cedidos como foi, no caso, o Círculo Operário do Embaré. A formação do grupo se deu, efetivamente, mediante ata de fundação, com designação da diretoria, escolha do nome GRUTA-Grupo Unido de Teatro Amador, etc. atendendo a formalidades. (Jorge Elias, sua esposa Célia, Nodge Filgueiras, Carlos Ferreira, sua esposa Luzinete, Achilles Abreu, Bruno Antonuche, Sidônia, Graça, Maria Lilian Castro, José Carlos Laranjeira, Concheta, Laerte Marioto, estão entre os fundadores). Era a primeira vez então que muitos ouviam falar de Constantin Stanislawski, Bertold Brecht, Nelson Rodrigues, Dias Gomes, Fernand Arrabal... Tomou-se conhecimento de textos como "Os fuzís da Senhora Carrar", de Brecht, do qual se fez leitura 'branca', discussão e exercícios de interpretação. Outros textos foram igualmente abordados. Quando da escolha da peça a ser montada efetivamente ("TRANSE", de Ronald Radde) foram providenciadas cópias xerox do texto para cada integrante do elenco então escalado, para direção e assistência de direção (que coube a mim), para técnicos - com as anotações específicas: luz, som, etc. Providenciou-se também o pagamento dos direitos autorais junto à SBAT - Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (hoje denominada Sociedade Brasileira de Autores, mas mantendo a sigla SBAT). Foi providenciada a censura prévia (texto e ensio geral) e também a contratação de data no Teatro Municipal de Santos, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo - SECTUR (mais tarde SECULT - Secretaria Municipal de Cultura) tendo como secretário o senhor Carlos Pinto. Carlos Pinto e Thaná Correa, fiéis escudeiros um do outro, são dois nomes intimamente ligados ao movimento de teatro na cidade, com passagens diversas (e alternadas) pela burocracia municipal em diferentes gestões - o que certamente denota a competência de ambos - a despeito de alguma restrição feita, principalmente nos idos de 70 e 80, por parte de alguns. Recentemente o senhor Carlos Pinto recebeu o título honorífico de Cidadão Francano, outorgado pela Câmara Municipal de Franca, sob a presidência do vereador Marco Garcia, mediante indicação coletiva, em solenidade acontecida no Teatro Municipal "José Cyrino Goulart", no dia 26 de novembro de 2011, às 20 h, e que contou com a apresentação da Orquestra Sinfônica de Franca, como parte das comemorações pelos 187 anos de Franca.
TRANSE - A peça
"TRANSE", de Ronald Radde, autor gaúcho (Porto Alegre), é de 1970. É um drama, "um espetáculo denso e sufocante". O Catálogo da Dramaturgia Brasileira apresenta a seguinte sinopse: "Cinco personagens, (3 masc. e 2 fem.) cada um com uma origem diferente, encontram-se em local neutro, que apenas se sabe ser após a morte, e aí debatem suas lembranças e culpas, desnudando todas as suas falsidades que, em seu paroxismo, buscam mostrar como um resumo da própria condição humana." Ou como nós colocamos: "Transe", de Ronald Radde, narra o drama pessoal de cinco personagens (um funcionário público, uma mulher adúltera, uma mulher feia e rejeitada, um homossexual, um filho de militar com tendência suicida), que vão se desvelando, se revelando, quase que num psicodrama, numa situação limite: a experiência de quase-morte.
Além da peça "Transe", Ronald Radde é autor de outros sucessos como "Apaga a luz e faz de conta que estamos bêbados"; "B... em cadeira de rodas"; "João e Maria nas trevas". É fundador, mantenedor, diretor do Teatro Novo, em Porto Alegre, há mais de 40 anos.
A concepção do espetáculo "TRANSE", por Jorge Elias, para o GRUTA-Grupo Unido de Teatro Amador
Jorge Elias, ao dirigir "Transe", decidiu que face a dureza do texto - especialmente quanto à fala da personagem central Jonas, filho de militar, revoltado e suicida - que certamente incomodaria o censor (e parte da plateia, com certeza), decidiu "amaciar", "esfriar", tornar mais "palatável" o texto TRANSE, de Ronald Radde, concebendo um prólogo e um coro (como na tragédia grega clássica) com inserção de cantoria - música composta especialmente para esta montagem pelo jovem maestro Juan Serrano. A música, o colorido feérico das túnicas do coro, as luzes, davam um ar mais ameno a apresentação. A princípio, não muito bem aceita esta concepção por parte de alguns do grupo, eu inclusive; entretanto, reconheçamos, isto certamente foi fundamental para que o grupo pudesse se apresentar naquele momento de grandes tensões político-sociais.
A música, de Juan Serrano
Coube a mim a incumbência de preparar os integrantes do coro e do prólogo no tocante a parte musical - especialmente o canto. Eu era um dos poucos afeitos a música (José Carlos Laranjeira tocava acordes simples ao violão mas não lia partitura). Embora não fosse propriamente um músico, um instrumentista, eu também tocava acordes simples no violão mas havia tido aulas de Canto Orfeônico no ginásio (hoje, 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental) e aprendera bem a ler partitura. Recebera do jovem e talentoso maestro Juan Serrano, a quem fora solicitado - em caráter de urgência - compor um tema musical especialmente para "TRANSE" e, ainda mais, música incidental para a mesma peça teatral, o material reproduzido em parte acima. Quando primeiro chegou-me às mãos, apresentava somente a linha melódica sem a harmonia. Solicitei ao maestro a gentileza de acrescentar as cifras, no que fui prontamente atendido, facilitando enormemente o trabalho. Ensaiamos uma dúzia de amadores no coro - na verdade cantando em uníssono pois não tínhamos como fazer arranjo para duas, três ou mais vozes.
Prólogo - A inclusão de pessoa com deficiência visual
Jorge Elias, como diretor do espetáculo, concebera um prólogo que consistia nas falas alternadas de dois atores (um representando o negativismo, o mal, a escuridão - eu; outro representando o otimismo, o bem, a claridade - Benê). Benê, como era carinhosamente tratada, era interna da associação beneficente LAR DAS MOÇAS CEGAS, com ótima sede situada na Avenida Ana Costa, onde Benê estudava (em Braile) e desenvolvia outras atividades. Era negra. E um pouco acima do peso para os padrões à época. Além das poucas falas do prólogo (Benê dizia sua fala mais plantada, mais estática; eu dizia a minha fala em movimentos ao redor de Benê, com muito gestual) também cantávamos e tocávamos violão acompanhando o coro.
Técnica
O cenário da peça "TRANSE" é despojado, praticamente inexistente. Um tablado, sobre o qual estão os cinco atores, ostenta a um canto em relêvo um telefone (do modelo antigo) sob foco de luz intensa constante até a última cena, quando é o último foco a ser apagado.
O figurino é também originalmente pobre, constituindo-se de roupas hospitalares. A senhora Célia, esposa de Jorge Elias, encarregou-se da confecção do figurino. As cinco personagens que viviam o drama vestiam roupas hospitalares ('camisolas') de que se desvencilhavam a medida que cada qual ia fazendo sua apresentação, mantendo então apenas algum 'aplique' que denotava sua inserção social: o funcionário público, a mulher adúltera, a mulher feia e rejeitada, o homossexual, o filho de militar. Célia confeccionara também a indumentária vistosa, colorida, longa, dos integrantes do coro e dos dois atores que faziam o prólogo.
A iluminação e sonoplastia (esta consistia basicamente de som de batida de automóvel, sirene de ambulância, toque de telefone) foram executadas por funcionário do Teatro Municipal de Santos, senhor Módica.
Elenco
Carlos Ferreira..............................Jonas (filho de militar)
Nodge Filgueiras...........................Anselmo (homossexual)
Bruno Antonuche..........................funcionário público
Maria Sidônia...............................mulher feia
Maria das Graças.........................mulher adúltera
Achilles Abreu e Benedita...........prólogo
Maria Lilian, Concheta, Luzinete, José Carlos Laranjeira, Edson Bispo e outros: CORO
O resultado final foi bastante satisfatório mesmo para alguém como eu que não gostara de início da concepção do diretor para "TRANSE". Jorge Elias chegou a mencionar que o próprio senhor Carlos Pinto teria ficado muito bem impressionado com o espetáculo. Fato é que todos nós estávamos eufóricos com o feito, a aventura de montar "TRANSE", de termos fundado um grupo de teatro amador, de termos conseguido acolher uma pessoa com deficiência visual e necessidades especiais (além de já ter idade bem acima da média dos demais participantes), de termos tido momentos de desinibição, de relaxamento, de concentração, de aprendizagem, de descobertas.
Namoro sob os refletores
Não se pode deixar de mencionar que à época "rolou" namoro entre alguns de nós, integrantes do elenco. Pelo menos dois ou três casais apaixonados se formaram ali, além dos já casados. Já formados ou cursando a faculdade ali estavam psicóloga, assistente social, administrador de empresas, jornalista, além de funcionários no comércio, indústria, serviços (e um ou outro desempregado, dentre os mais jovens).
Burocracia
O teatro amador de Santos sempre foi um movimento forte, tendo projetado nomes importantes que fazem sucesso até hoje na TV, no cinema, no teatro mesmo, ou ainda em outras carreiras como jornalismo, publicidade e propaganda, psicologia, etc. Parece que sempre houve um certo "racha" entre grupos e participantes em relação à Federação Santista de Teatro Amador e mesmo em relação a Secretaria Municipal de Cultura, alguma "animosidade", ainda que se possa entender como algo artificial, "fabricado". Dos dois nomes fortes da burocracia citados, Thaná Correa (homenageado este ano no enredo da escola de samba vencedora do Carnaval santista - que trouxe como destaque, seu filho, o consagrado ator Alexandre Borges) e Carlos Pinto, talvez se pudesse aventar que o primeiro estivesse mais para a 'criação', enquanto o segundo estava mais para a 'administração'. Seu livro de cabeceira talvez fosse Il Principe, de Niccolò Machiavelli (1469 - 1527). Chi lo sà?
Letras completas das melodias: tema musical de "Transe" e música incidental
Tema musical de "Transe" Música incidental
Você é livre, você decide se quer Da maneira pela qual reajo
Desce, fica parado, busca o infinito, Aos acontecimentos
Retarda o passo, cai e levanta, resvala, É que determino o meu futuro
Escapa, se encarcera, se despedaça. Se dou fé aos maus pensamentos
Há uma força que me destrói.
Refrão: Gente que nasce, gente que corre,
Gente que chora, que morre. (2x)
Música incidental
Você que pensa criou a máquina
Pra dar conforto, vencer o tempo. Por mais árdua que seja a prova
Você a usa como um engenho do mal Jamais abandone a fé,
Se destruindo, só destruindo A esperança e a determinação.
Tudo e todos, sem distinção. Suplantará qualquer situação aflitiva.
Suplantará qualquer situação aflitiva.
Refrão
Você odeia, você se odeia Música incidental
Ódio marcado, ódio que mata
Ódio terreno, ódio explosão Lembre-se que o desejo atrai
Ódio mesquinho, ódio com ódio As oportunidades
Sem remorso, sem perdão. E que o medo somente o leva
Ao fracasso
Refrão Deus não pune, Deus não pune
Você é quem castiga a si mesmo.
Você é homem, é quase deus
É corpo e alma num só compasso
Por que se avilta mudando o passo
Desse equilíbrio de paz e amor
Mudando o rumo do seu destino
Mudando o rumo do destino
Ser criatura, ser criador.
Refrão
Você é o relógio que marca as horas
Você é a máquina incansável
Você é ternura entre as pessoas
Se não carregar por caminho pedregoso
A sombra do seu passado.
Refrão
Você é luz que pode iluminar
A existência de um ser
Você é o elo que existe
Se procura querer, se procura querer
Querer mudar.
Refrão final: Gente que nasce, gente que foge,
Gente que chora, que morre.
Gente que é ser, gente que é vida,
Gente que sofre, que é gente.
O teatro amador de Santos sempre foi um movimento forte, tendo projetado nomes importantes que fazem sucesso até hoje na TV, no cinema, no teatro mesmo, ou ainda em outras carreiras como jornalismo, publicidade e propaganda, psicologia, etc. Parece que sempre houve um certo "racha" entre grupos e participantes em relação à Federação Santista de Teatro Amador e mesmo em relação a Secretaria Municipal de Cultura, alguma "animosidade", ainda que se possa entender como algo artificial, "fabricado". Dos dois nomes fortes da burocracia citados, Thaná Correa (homenageado este ano no enredo da escola de samba vencedora do Carnaval santista - que trouxe como destaque, seu filho, o consagrado ator Alexandre Borges) e Carlos Pinto, talvez se pudesse aventar que o primeiro estivesse mais para a 'criação', enquanto o segundo estava mais para a 'administração'. Seu livro de cabeceira talvez fosse Il Principe, de Niccolò Machiavelli (1469 - 1527). Chi lo sà?
Letras completas das melodias: tema musical de "Transe" e música incidental
Tema musical de "Transe" Música incidental
Você é livre, você decide se quer Da maneira pela qual reajo
Desce, fica parado, busca o infinito, Aos acontecimentos
Retarda o passo, cai e levanta, resvala, É que determino o meu futuro
Escapa, se encarcera, se despedaça. Se dou fé aos maus pensamentos
Há uma força que me destrói.
Refrão: Gente que nasce, gente que corre,
Gente que chora, que morre. (2x)
Música incidental
Você que pensa criou a máquina
Pra dar conforto, vencer o tempo. Por mais árdua que seja a prova
Você a usa como um engenho do mal Jamais abandone a fé,
Se destruindo, só destruindo A esperança e a determinação.
Tudo e todos, sem distinção. Suplantará qualquer situação aflitiva.
Suplantará qualquer situação aflitiva.
Refrão
Você odeia, você se odeia Música incidental
Ódio marcado, ódio que mata
Ódio terreno, ódio explosão Lembre-se que o desejo atrai
Ódio mesquinho, ódio com ódio As oportunidades
Sem remorso, sem perdão. E que o medo somente o leva
Ao fracasso
Refrão Deus não pune, Deus não pune
Você é quem castiga a si mesmo.
Você é homem, é quase deus
É corpo e alma num só compasso
Por que se avilta mudando o passo
Desse equilíbrio de paz e amor
Mudando o rumo do seu destino
Mudando o rumo do destino
Ser criatura, ser criador.
Refrão
Você é o relógio que marca as horas
Você é a máquina incansável
Você é ternura entre as pessoas
Se não carregar por caminho pedregoso
A sombra do seu passado.
Refrão
Você é luz que pode iluminar
A existência de um ser
Você é o elo que existe
Se procura querer, se procura querer
Querer mudar.
Refrão final: Gente que nasce, gente que foge,
Gente que chora, que morre.
Gente que é ser, gente que é vida,
Gente que sofre, que é gente.
sábado, 19 de novembro de 2011
O NAVIO NEGREIRO
O NAVIO NEGREIRO
![]() |
| (Caricatura do blogueiro - de barba, bigode e cabelo comprido, à época - feita em 1 minuto por artista de rua, com tesoura) |
Carlos Ferreira já havia interpretado Jonas, papel central da peça "TRANSE", de Ronaldo Radde, encenada pelo GRUTA - Grupo Unido de Teatro Amador, de Santos-SP, com direção de Jorge Elias; e tinha também atuado conosco em 'Pai ou Responsável', quadro da peça "A INFIDELIDADE AO ALCANCE DE TODOS", de Lauro Cesar Muniz, com direção do mesmo Jorge Elias - que à época era funcionário da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo onde desempenhava as funções técnicas de Desenhista.
Carlos Ferreira, casado, pai de duas meninas já à época, era vendedor na Livraria Martins Fontes, situada na Avenida Ana Costa, no bairro do Gonzaga, em Santos-SP. Lá esteve por muitos e muitos anos, sempre com um sorriso peculiaríssimo e atenção respeitosa a todos quantos adentravam a maior, a mais sortida, a mais tradicional livraria da cidade.
Por várias vezes manifestara a vontade de encenar um monólogo, especialmente o "NAVIO NEGREIRO", de Castro Alves - o poeta dos escravos.
Estas lembranças me vêm à mente no momento mesmo em que se tem no 19/11 a comemoração do Dia da Bandeira e no 20/11 a comemoração do Dia da Consciência Negra.
Carlos Ferreira não era negro, nem mesmo mulato. Solicitou-me que o dirigisse em cena. Conversamos bastante e iniciamos os ensaios com base no texto, pesquisa de material de cena, música, figurantes, etc. Decidiu-se que Carlos Ferreira representaria o próprio Castro Alves - dizendo seu poema vigoroso no tombadilho de um navio, mais junto à proa, porém em meio a escravos acorrentados, açoitados, etc. Muito som de atabaques, hino da Umbanda, efeitos sonoros (e visuais) de água, raios, trovões, etc compunham a proposta, a aposta naquela concepção cênica de "NAVIO NEGREIRO". E, claro, principalmente a construção da cena final quando a plateia se daria conta e veria formada sobre o palco uma 'meia' bandeira: parte de um retângulo coberto de folhas de bananeira (verde); velas acesas (amarelo) em V (proa do navio); ao centro, figurantes recobrem o poeta com um pálio azul; e, de cima, cai sobre todos uma longa fita branca.
Eu já havia visto pelo menos uma apresentação de "NAVIO NEGREIRO" (Vado já se firmara magnificamente como intérprete do poema, e durante muito tempo continuaria a se apresentar, sempre com enorme talento e merecido sucesso). Eu pretendi conceber o espetáculo de forma diferente, mais dentro do espírito contestador da época - e "cutucar o bicho com vara curta". Os anos eram difíceis e os gritos, os lamentos dos negros do poema remetiam a outras atrocidades. Numa época em que vestir vermelho era arriscado; em que o hino nacional só podia ser executado em Fa maior e no andamento indicado (impensável uma interpretação como a de Fafá de Belém por ocasião da morte de Tancredo Neves); enfim, precisávamos driblar a censura prévia (obrigatória para todo tipo de espetáculo). Poderíamos, mesmo sem querer, estar incorrendo em crime de desrespeito a um símbolo nacional - a Bandeira - assim entendido: alegoricamente a bandeira nacional no chão, cortada ao meio, na cena final elaborada conforme já mencionamos, acompanhada dos versos finais do poema:
" Mas é infâmia demais... "
(...)
(...)
" Andrada, arranca este pendão dos ares "
" Colombo, fecha as portas dos teus mares "
(Castro Alves, NAVIO NEGREIRO)
Cai a luz em resistência (fade-out). Desce o pano.
ATENÇÃO: Se você quiser saber muito mais sobre Castro Alves, clique em O COSMONAUTA, (link) na barra ao lado (blog do nosso amigo Saymon Justo). Vale a pena.
Para ouvir "Bandeira de Oxalá" (Hino da Umbanda) acesse http://youtu.be/25P3O948_gM
(Castro Alves, NAVIO NEGREIRO)
Cai a luz em resistência (fade-out). Desce o pano.
ATENÇÃO: Se você quiser saber muito mais sobre Castro Alves, clique em O COSMONAUTA, (link) na barra ao lado (blog do nosso amigo Saymon Justo). Vale a pena.
Para ouvir "Bandeira de Oxalá" (Hino da Umbanda) acesse http://youtu.be/25P3O948_gM
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
TELL ME THAT ELSE (ELSIE)
TELL ME THAT, ELSE (ELSIE)
(Achilles F. Abreu)
Baby say that again
Tell me that one more time
Tell me it's not in vain
Oh, say you will be mine
And make me feel happy Else
Oh so happy
Say you'll love nobody else
Oh nobody
Nobody but me!
Come and tell me that Else
Just whisper in my ear
Tell me that you care Else
And let me love you dear
So, then you may ask me Else
Just what you will
'Cause all your dreams, lovely Else
I'll make come real...
I love you my Else!
Aí está mais um exemplo daquilo que nos ocupava à época: criar letras em inglês para eventuais composições musicais, nossas ou de terceiros. Era bastante comum autores se valerem desse expediente para buscar o sucesso (Moris Albert, com a canção "Feelings"; Paulo Diniz, com "Quero voltar pra Bahia - cujo refrão dizia 'I don't want to stay here / I want to go back to Bahia'; a banda - ou conjunto, como se dizia então - Light Reflections, com "Tell me once again" e tantos outros). Outra atividade que nos envolvia era a de fazer versões em língua portuguesa para músicas estrangeiras do hit parade. WHO'LL STOP THE RAIN, de John Fogerty, sucesso do Credence Clearwater Revival, por exemplo, ficaria assim:
Hoje eu lembro o tempo
De criança em São João
Descalço e sem camisa
Sob a chuva de verão
Corria pelas ruas
Mamãe a me chamar
Vem menino, sai da chuva
Vai se molhar!...
(etc, etc)
E se você, leitor, assim como nós, foi ou é fã da banda também conhecida pela sigla CCR veja como ficaria a segunda estrofe de PROUD MARY:
Pratos eu lavei em Memphis
Panelas areei lá em Nova Orleans
E nunca conheci o lado bom da vida
Até que um dia a sorte sorriu para mim
Na barca que descia o rio
A felicidade veio
Rollin'... rollin'... rollin' on the river
sábado, 5 de novembro de 2011
VOCÊ É DEMAIS (Amar-se, amar-se, ah...)
VOCÊ É DEMAIS
(letra e música: Achilles F. Abreu - Edenilton M. Peres)
A E/G# Fm# Fm#7 B7 E
A E/G# Fm
Todos os caminhos
Fm#7 B7 E
Me levam a você
A E/G# Fm
Você é meu ninho
Fm#7 B7 E
Em cada entardecer
A E/G# Fm
Todos os carinhos
Fm#7 B7 E
Eu quero de você
A E/G# Fm
Amar-se, amar-se, amar-se
Fm#7 B7 E
Amar-se até morrer
A E/G# Fm
Eu sou passarinho
Fm#7 B7 E
E você é você...
Cm# Fm#
Quando tudo está errado
Fm#7 B7 E
Você sorri pra mim
A B7 E
E reduz o mal, meu mal
Cm#
Mesmo que o céu
Fm#
Esteja escuro
Fm#7 B7 E
Eu sou feliz assim
A B7 E
Você é a luz do sol, meu sol
E B7
Você faz meu mundo
E
De amor e paz
E B7
Você colore a vida
E
Como ninguém mais faz
A
Você é demais
B7
Oh, oh, oh, oh
E
Você é demais.
(letra e música: Achilles F. Abreu - Edenilton M. Peres)
A E/G# Fm# Fm#7 B7 E
A E/G# Fm
Todos os caminhos
Fm#7 B7 E
Me levam a você
A E/G# Fm
Você é meu ninho
Fm#7 B7 E
Em cada entardecer
A E/G# Fm
Todos os carinhos
Fm#7 B7 E
Eu quero de você
A E/G# Fm
Amar-se, amar-se, amar-se
Fm#7 B7 E
Amar-se até morrer
A E/G# Fm
Eu sou passarinho
Fm#7 B7 E
E você é você...
Cm# Fm#
Quando tudo está errado
Fm#7 B7 E
Você sorri pra mim
A B7 E
E reduz o mal, meu mal
Cm#
Mesmo que o céu
Fm#
Esteja escuro
Fm#7 B7 E
Eu sou feliz assim
A B7 E
Você é a luz do sol, meu sol
E B7
Você faz meu mundo
E
De amor e paz
E B7
Você colore a vida
E
Como ninguém mais faz
A
Você é demais
B7
Oh, oh, oh, oh
E
Você é demais.
Esta canção fora dedicada a Márcia R. Brzozowski, funcionária da Prefeitura Municipal de Cubatão, SP.
À época chegamos a ministrar naquele município um curso de teatro (preparação de atores, técnicos, etc) em nível de iniciação. Cubatão sempre foi palco de grandiosas representações da Paixão de Cristo, encenada anualmente com populares nos papéis de Jesus, Maria, Maria Madalena, Judas, Simão, Herodes, Pilatos, Caifás, Pedro, Verônica, centuriões romanos, a patuleia, etc. Com amadores - na mais verdadeira acepção da palavra. O convite nos fora feito visando preparar os interessados em montar outros tipos de espetáculos teatrais, diversificando assim as possibilidades do fazer teatral na cidade e ampliando o conhecimento dos interessados na área. Fizemos muitos amigos, dentre os quais as irmãs Tertuliano. Estas, logo em seguida foram aprovadas em concurso público e foram incorporadas a PM Feminina para gáudio de sua família (gente humilde, batalhadora e honestíssima) e de todos aqueles que tiveram o prazer e o privilégio de os conhecer. Também impossível é deixar de mencionar o amigo, diretor-presidente do COTAC - Centro Organizador do Teatro Amador de Cubatão, Alex Farah. Não vou resistir ao trocadilho: Farah fazia mesmo; sempre fez. Com extrema competência.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
TRIBUTE TO JIMMI HENDRIX (WOODSTOCK)
TRIBUTE TO JIMMI HENDRIX (WOODSTOCK)
(Achilles F. Abreu)
The open prarie
Full of flowers ev'rywhere
And free love-making...
Hell and heaven - well known there.
And in the center
Of the prarie
There's a stage
And all around it
Crowd of people
Of young age!
It was no Congress
Or a Vietnam wrestling
But kind of protest
Thru the guitarman's strings!
Sounded almost like a cry
For the whole wide world to hear
That the youth want to be free
Free of prejudice, free for love!
Today he's lost away
Somewhere in the space...
His body's lifeless, useless...
Nothing else he can do or say
And his friendly guitar's
Quiet forever now...
No more songs of love and joy
And understanding; but somehow
His lesson the youth has heard
All over the world
All over the world
His lesson the youth has heard
Good-bye Jimmi Hendrix
And thank you
(now take good care of yourself)
Jimmi
Jimmi
Jimmi
Jimmi Hendrix - Love!
Jimmi Hendrix - Flower!
Acesse http://youtu.be/wyGGG1l-rf8
(Achilles F. Abreu)
The open prarie
Full of flowers ev'rywhere
And free love-making...
Hell and heaven - well known there.
And in the center
Of the prarie
There's a stage
And all around it
Crowd of people
Of young age!
It was no Congress
Or a Vietnam wrestling
But kind of protest
Thru the guitarman's strings!
Sounded almost like a cry
For the whole wide world to hear
That the youth want to be free
Free of prejudice, free for love!
Today he's lost away
Somewhere in the space...
His body's lifeless, useless...
Nothing else he can do or say
And his friendly guitar's
Quiet forever now...
No more songs of love and joy
And understanding; but somehow
His lesson the youth has heard
All over the world
All over the world
His lesson the youth has heard
Good-bye Jimmi Hendrix
And thank you
(now take good care of yourself)
Jimmi
Jimmi
Jimmi
Jimmi Hendrix - Love!
Jimmi Hendrix - Flower!
Acesse http://youtu.be/wyGGG1l-rf8
Uma das primeiras experiências realizadas por este autor em termos de redigir em língua inglesa algum poema. O texto, pensado inicialmente em português, foi elaborado em parceria com Edenilton Mendes Peres e teve contribuições, em termos de correção, de uma tia residente em L.A., Ca. desde sempre.
Edenilton, ou Didí, era aficionado mesmo pelo grupo "Bread" e curtia canções mais românticas, mais dolentes... Fizemos parceria em VOCÊ É DEMAIS, cuja versão nossa para o idioma inglês se perdeu no papel e na memória. Essa canção - parece hoje - tinha já o sabor daquilo que viria a ser bem mais tarde a assim chamada "música sertaneja"... Fato é que a versão em inglês que fizemos foi apresentada em 'bailinhos' da época, pelo conjunto (é como se dizia à época) santista Blow Up, de enorme sucesso para aqueles tempos... E quem ouviu achou que se tratava de hit internacional! (Bem, eu, justamente o autor da letra - em português e em inglês -não estive presente e portanto não vou jurar. Mas o Didí garante que assim se passou).
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
ECCE HOMO
ECCE HOMO
Tu, Homem!
Tu, Homem!
Tu, animal...
Que te consomes
Entre o Bem e o Mal;
És caminhante...
És a estrada...
- O pé e o pó!
O pé errante,
O pó que é nada,
Tu és tão só!
Então tu pisas,
E és pisado!
- O pé e o pó...
Tu, Homem!
Tu, animal...
Que te consomes
Entre o Bem e o Mal;
És em verdade ,
Uma mentira!
Quem és? Que vês?
Talvez bem tarde
Mas chega o dia
Do teu revés...
Atrás das grades
Só tu te miras:
- Quem és?... Que vês?...
Tu és a praga,
E o fungicida...
A estiagem,
E a chuva boa...
És a fuligem,
E o ar do campo...
És a geada,
E raio de sol...
Tu és a fome,
E a sobremesa...
Negociante,
Mercadoria...
Na vitrine estás a venda
E teu preço é ocasião!
Tu és o crime
E a recompensa...
És a oferta
E a procura...
O luxo que mofa,
O lixo que resta;
Espírito em luto,
A carne em festa...
O próprio Templo;
A própria cova;
O próprio Tempo;
E a Vida nova!
Os versos acima foram pensados para serem declamados em off (por ator com vozeirão, e reproduzidos no sistema de som do teatro através de caixas acústicas potentes) na cena inicial da peça colagem "LIMITE DE CONSCIÊNCIA", de Napoleão Tavares, ensaiada à exaustão no Círculo Operário do Embaré e apresentada ao público no Teatro Municipal de Santos. O palco, representando a consciência do Homem - personagem central da peça, tinha na boca de cena, nas laterais e ao fundo, atores agachados em posição que fazia lembrar "O Pensador" de Rodin e que se levantavam em "slow motion" a medida que música instrumental 'soturna' era reproduzida e as luzes se faziam em "fade-in"... Esses atores personificavam demônios que iam se altivando e virando-se para a platéia e estendendo em mesura, num convite, os braços e as mãos para receber o Homem, que adentrava o teatro em meio à plateia e dirigia-se para o palco para enfrentar cara a cara sua condição humana, muito humana... existencial.
Parte do elenco (grande; tinha o autor Napoleão Tavares fazendo Lúcifer, seu séquito de demônios hierarquisados, um "corpo de baile" fazendo as Ninfas, os Profetas, etc, etc...) Nestas fotos: Acima, e imediatamente abaixo, o ator principal. Na terceira, um dos 'profetas'.
Também nessas fotos outros integrantes, dentre os quais este pobre diabo.
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